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"Louco? Loucos são os Loucos que me chamam Louco mas que não conseguem ver a genialidade da minha Loucura!"

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Curiosidades das minhas Raízes!

por Narciso Santos, em 20.02.17

Como sempre referi, se quisermos saber para ond queremos ir, nunca devemos esqueçer o nosso passado, e o meu passado e as minhas raízes foram, são e serão  sempre edificadas por esta comunidade píscatória de Vila do Conde e Póvoa de Varzim e faço questão que a pequenada também não se esqueça de onde eles também pertençem, daí que todos os sábados de manhã me desloque á Doca de Povoa de Varzim para eles verem o seu Avô a trabalhar, para verem a vida árdua que os seus conterrâneos levam e para sacarem umas gomas no café da lota.

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Como o nome indica do barco onde o meu Pai trabalha o que peço é que sempre encontrem o Caminho para porto seguro e que façam sempre boa viagem.

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Simplesmente pessoas únicas, verdadeiras e de RAÇA!

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 Este é o Nero o único cão marinheiro que existe em Portugal e no Barco do "Caminho da Boa Viagem". A Asae foi uma vez ao barco e disse que não poderiam ter um cão no mesmo, pois era anti-higiénico, e este barco sempre teve um cão que faz parte dos "camaradas" e lá o mestre do barco mostrou toda a documentação e  o Nero está de facto inscrito como tripulante do "Caminho da Boa Viagem" tem cédula maritima, só que ganha em "frangos assados" o seu salário, não sei se irão obrigar o "Nero" a validar facturas, a pagar IRS e fazer descontos para a Segunrança Social...

NS


Caxinas

por Narciso Santos, em 21.12.16

Esta vai para todos aquelas bestas que pensam que as Caxinas é um local onde todo o mundo se insulta, um local de arruaceiros e de pessoas mal-educadas e bêbados e drogados, A dias vi uma reportagem na TV acerca da minha querida terra, e acreditem que não existe terra nenhuma no mundo onde eu prefira estar do que na minha, saber o que é sentir o mar e o seu cheiro todos os dias que saio a rua, sentir-me orgulhoso do meu povo, porque acreditem que quando conquistam um caxineiro têm um amigo para toda a vida, por isso para aqueles que fizeram a reportagem e nos colocaram como um bando de pescadores, drogados e bêbados e porque não conhecem nem fizeram o seu trabalho de casa bem feito, isto vindo de uma pessoa que pertence a uma família de pescadores e a qual tem orgulho, porque esta mesma família são os meus ídolos porque tudo o que fui, sou e serei deve-se a eles e a comunidade onde estou inserido, e acreditem que é extremamente fantástico ir a um sábado de manha ao cais e conviver com aquelas pessoas humildes e singelas e ouvir as suas histórias de vida, estar com o meu pai e com os seus camaradas pescadores e ter o privilégio de os ouvir, ouvir o que eles passam no mar e saber que não e fácil.

Permitam-me que dirija umas palavras acerca da "Raça Caxineira", acerca da família Caxineira. Caxinas é um lugar pertencente a Vila do Conde, não é um bairro piscatório como muitas vezes aparece noticiado nos órgãos de comunicação social. Os Caxineiros são Vila-condenses de 1ª, como são os de outros lugares da cidade de Vila do Conde. Não queremos ser tratados como especiais, mas também não somos coitadinhos como muitas vezes parecem querer dizer... Os Caxineiros são pessoas de trabalho árduo, labutam na vida do mar horas a fio, (15,16 18 horas dia), por de trás do aspecto áspero, de um falar duro e rude encontra-se um homem amigo, fiel aos seus amigos, e muito dado a sacrifícios. Numa tese uma professora apresentava o homem das Caxinas como um "Homem de ferro em barcos de pau", nem mais. Os Caxineiros raramente viram a cara á luta, são pessoas capazes de morrer a trabalhar como a história tem ensinado ao longo dos anos. O Homem do mar merece-nos respeito! Uma palavra também às Mulheres das Caxinas. Muitas das vezes obrigadas pela própria vida a fazerem de pai e mãe ao mesmo tempo, como diz o ditado. "Por de trás de um grande homem está uma grande mulher", A todas as mulheres Caxineiras um bem-haja! Os Caxineiros são pessoas de fé, cultivam a fé na sua simplicidade, bairristas na doação aos seus e aos outros. Temos problemas como as outras terras têm também

Nas Caxinas conta-se uma história particular. Neste lugar, zona de pesca e de mar, de rijeza e de humildade, há um povo que lutou pela sobrevivência a bordo de um barco.

Nas Caxinas ouve-se o riso e vê-se a cor. Por todo o lado, apesar das gentes sempre vestidas de preto. Não há família caxineira que não tenha perdido alguém no mar.

Nas Caxinas vive-se com emoção. Com orgulho nas raízes. Com a coragem e a revolta dos dias vividos no limite do medo.  Com um dialecto que é único.  São “estátuas de bronze a andar”, os Caxineiros da poesia de José Régio.  Não se sabe a origem da palavra. Poderá vir do latim “cachinare”, que significa rir às gargalhadas.

Nas Caxinas vive-se em casas de azulejos alegres, com peixe a secar nas cordas a meias com a roupa preta. Faz-se do passeio público um quintal. Passa-se a velhice entre as memórias, as agulhas de tricot, o baralho de cartas e a conversa com quem passa.

A minha Honra, a minha Homenagem aos Homens e Mulheres da minha Terra as Caxinas!

CSJ

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