Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

http://cisosemjuizo.blogs.sapo.pt

"Louco? Loucos são os Loucos que me chamam Louco mas que não conseguem ver a genialidade da minha Loucura!"

http://cisosemjuizo.blogs.sapo.pt

"Louco? Loucos são os Loucos que me chamam Louco mas que não conseguem ver a genialidade da minha Loucura!"

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.


Um aparte sobre as Caxinas!

por Narciso Santos, em 14.06.19

Fonte: https://cdn.olhares.pt/client/files/foto/big/909/9093797.jpg

Permitam-me que dirija umas palavras acerca da "Raça Caxineira", acerca da família Caxineira. Caxinas é um lugar pertencente a Vila do Conde, não é um bairro piscatório como muitas vezes aparece noticiado nos órgãos de comunicação social. Os Caxineiros são Vila-condenses de 1ª, como são os de outros lugares da cidade de Vila do Conde. Não queremos ser tratados como especiais, mas também não somos coitadinhos como muitas vezes parecem querer dizer... Os Caxineiros são pessoas de trabalho árduo, labutam na vida do mar horas a fio, (15,16 18 horas dia), por de trás do aspecto áspero, de um falar duro e rude encontra-se um homem amigo, fiel aos seus amigos, e muito dado a sacrifícios. Numa tese uma professora apresentava o homem das Caxinas como um "Homem de ferro em barcos de pau", nem mais. Os Caxineiros raramente viram a cara á luta, são pessoas capazes de morrer a trabalhar como a história tem ensinado ao longo dos anos. O Homem do mar merece-nos respeito! Uma palavra também às Mulheres das Caxinas. Muitas das vezes obrigadas pela própria vida a fazerem de pai e mãe ao mesmo tempo, como diz o ditado. "Por de trás de um grande homem está uma grande mulher", A todas as mulheres Caxineiras um bem-haja! Os Caxineiros são pessoas de fé, cultivam a fé na sua simplicidade, bairristas na doação aos seus e aos outros. Temos problemas como as outras terras têm também

Nas Caxinas conta-se uma história particular. Neste lugar, zona de pesca e de mar, de rijeza e de humildade, há um povo que lutou pela sobrevivência a bordo de um barco.

Nas Caxinas ouve-se o riso e vê-se a cor. Por todo o lado, apesar das gentes sempre vestidas de preto. Não há família caxineira que não tenha perdido alguém no mar.

Nas Caxinas vive-se com emoção. Com orgulho nas raízes. Com a coragem e a revolta dos dias vividos no limite do medo. Com um dialecto que é único. São “estátuas de bronze a andar”, os Caxineiros da poesia de José Régio. Não se sabe a origem da palavra. Poderá vir do latim “cachinare”, que significa rir às gargalhadas.

Nas Caxinas vive-se em casas de azulejos alegres, com peixe a secar nas cordas a meias com a roupa preta. Faz-se do passeio público um quintal. Passa-se a velhice entre as memórias, as agulhas de tricot, o baralho de cartas e a conversa com quem passa.

A minha Honra, a minha Homenagem aos Homens e Mulheres da minha Terra as Caxinas!


Memórias de um Caxineiro - Parte 3

por Narciso Santos, em 17.05.17

 (Sim, Caxineiro que se preze atirava-se da cruz, onde se encontra a gaivota)

Lá diz o ditado, antes de caminhar aprende a gatinhar, antes de correr aprende a caminhar… Mas eu queria muito ser adulto antes de ter vivenciado o “ser criança” e o “ser adolescente”, lá corri antes de caminhar… Como quando era pequeno me lançava do Cais Sul para a água sem pensar nas consequências que daí poderiam advir, me lancei para a “Técnica” para a Escola Secundária José Régio no 8º Ano!

Se por um lado tinha perdido metade dos amigos quando passei da primária para a Escola Frei João, por outro lado fiz novas amizades aqui nesta nova escola mas tudo mudou quando me senti adulto e lá pedi transferência para a “Técnica” eu e mais 2 amigos que me acompanharam desde a primária, ter uma base e um suporte é muito importante, eu tinha eles dois em um mundo que começou por revelar-se muito estranho.

Se comecei na outra escola a perceber o status e a estratificação da sociedade, aqui nesta nova escola é que percebi de facto a diferença e os valores “MATERIAIS” que davam às marcas, á roupinha cara, às pessoas, à embalagem, etc…

Para começar a minha turma do 8º ano era basicamente o pior pesadelo dos professores, tinha colegas que já deveriam estar 3 ou 4 anos à frente mas simplesmente eram repetentes compulsivos… A escola era estruturada por grupinhos: Os Betos, Os Surfistas, Os tipos de Desporto que eram na sua maioria jogadores do Rio Ave, Os Metaleiros com as suas calças de ganga pretas super hiper mega skinny, (basicamente uns collants feitos em ganga), as famosas “City Jeans”, O pessoal da aldeia, etc…

Claro que eu fui logo me juntar aos famosos “gandins” os meus conterrâneos Caxineiros, claro está que no final do ano lectivo, somente metade passou para o 9º Ano, os restantes uma vez mais ficaram pelo caminho, e a vida era assim, saindo uns e entrando outros…

Chega a época das Calças à Boca de Sino, do cabelo à Kurt Cobain, das camisas de flanela aos quadrados, das calças Levi´s mas compradas nos ciganos da feira, pois não havia como gastar 14 contos num par de calças, tive a sorte de me darem umas Allstar Vermelhas, acho que foi o meu primeiro artigo de marca. Como qualquer Caxineiro lá fui dar uns “chutes” na bola para o Rio Ave.

Lembro-me de todas as pessoas terem pavor do “bairro vermelho” ao lado da escola pois era onde viviam os ciganos, que se tornaram grandes amigos meus, lembro-me do bairro do Caximar também ter má fama, e estas pessoas também se tornaram amigos, somente inimigos dentro de um campo de futebol, onde a palavra perder não entra no dicionário nem num jogo a “feijões”.

Lembro-me que me deslumbrei demasiado no 10º ano que me espalhei por completo em quase todas as disciplinas, lembro-me das saídas as quartas feiras a tarde antes de ir treinar de 15 em 15 dias festa da escola no Totta Bar. Lembro-me das saídas à noite para a discoteca Enseada. Lembro-me que 1 fino custava 50 escudos (25 cêntimos); lembro-me que o cinema custava 300 escudos (1,5€)… Lembro-me de muita coisa…

O Rio Ave F.C. dominava as conversas de café, o relato soa todos os domingos na mão dos velhos e menos velhos, entre o baralho de cartas e a Super Bock. Nos dias de derbi (Varzim x Rio Ave) era o “foge da frente”…

Pois foi ali / aqui que cresci, vivi e aprendi.

Nos dias de hoje os putos já andam com roupa de marca desde que nascem, são catalogados quando entram no infantário, essa catalogação passa com eles para a primária e depois depende se continua ou não pelas mãos da professor(a) primária…

Tentar explicar a eles o que eram as Caxinas, que no meu tempo não haviam computadores, tablets nem telemóveis. Mas tento uma vez por semana, levar a ver o avô no cais, dentro do barco a trabalhar, explicar onde nasci e cresci para ver se conseguem absorver alguma coisa e acima de tudo não renegar as raízes como muitos as renegam e escondem.

Uma coisa é certa nesta vida, para sabermos para onde queremos ir, nunca nos devemos esquecer de onde viemos e a minha âncora está aqui nesta terra: Caxinas, Vila do Conde.

Nós não somos melhores nem piores do que ninguém, somos diferentes: “Estátuas de Bronze a Andar”, os Caxineiros da poesia de José Régio.


Memórias de um Caxineiro - Parte 2

por Narciso Santos, em 16.05.17

20170218_112318.jpg

… Nunca se esqueçam que Os Caxineiros são Vila-condenses de 1ª, como são os de outros lugares da cidade de Vila do Conde.

Mas o que é certo é que nunca me senti um Vileiro, nem um Poveiro!

Como tudo na vida o tempo passa, e um tipo vai crescendo e termino a 4º classe, despeço-me da escola primária das Caxinas e passo para a 5º classe para o “Ciclo”, Escola Frei João. Esta escola já era naquela altura outro nível, era como se passasse-mos de jogar nos Regionais para uma primeira divisão, sendo que a “liga dos campeões” aguardava do outro lado da rua, na “Técnica” - José Régio!

Logo na passagem para a escola preparatória perco mais de metade dos meus amigos da primária, e vou para uma turma com quase todos desconhecidos, também é aqui que começa a mistura de culturas, entre os Caxineiros e os Vilacondense oriundos das freguesias de Vila do Conde.

Sei que me sentia um pouco enjaulado, por as grades que cobriam a escola de forma a não podermos sair, Salgado sempre atrás de nós (com a sua frase, “levas um…”), os tempos de ter aulas somente de manhã terminam e passo a ter umas 12 disciplinas por ano, ou seja, fico completamente prisioneiro e refém da escola, pois era um “trabalho autêntico” entrava as 8:00 saía as 18:30.

Nem tudo era mau, os pacotes de leite da agros achocolatados ainda continuavam a ser distribuídos de manhã e de tarde, aprendi a fazer novos amigos fora da minha redoma das Caxinas e aprender a viver na diversidade, também comecei a perceber a estratificação da sociedade onde afinal não éramos todos feitos de “água, sal e areia”, uns tinham além disto, tinham “uns crocodilos” “um tipo em cima de um cavalo” e uns outros dizeres…

O Caxineiro tendo como atributos o ser: valente, poeta e filósofo, melancólico e sonhador, muito religioso, fraterno e generoso, tempestivo no momento de fúria, mas cordeiro e humano, honrado e supersticioso, bom chefe de família e trabalhador, já não chegava, pois as marcas falavam um outro idioma, além do nosso linguarejar próprio, que tanto nos orgulha, o nosso sotaque… sim o “Novo-riquismo” tinha chegado…

Lembro-me perfeitamente da lojinha em frente a Frei João que vendida os gelados de gelo a 25 escudos, os famosos Fãs e as broínhas de mel por 20 “paus”… Dizia a minha mãe que iria comer na cantina da escola mas em vez disso, saltava as grades e lá ia comer a lojinha, pois Caxineiro que se preze não come na cantina, mas sim broínha, sandes, batatas fritas e a famosa gasosa na lojinha.

As minhas professoras coitadas, muitos cabelos brancos, azuis, verdes devem ter ganho, pois era tanto o disparate efectuado dentro da sala de aula…

Apartir do 6º ano, começa aqui a grande diferença na escola, pois a maior parte dos meus amigos abandona a escola, a razia de más notas era evidente, os “não satisfaz” eram banais, pois parecia que que a praia e o mar nos chamavam continuamente…

Mas como qualquer criança, o meu objectivo era ser “Grande” querer ir para junto dos adultos, querer ir para a tão aclamada “técnica” e peço transferência no final do 7º ano para ir para junto dos “grandes” dos adultos…

TO BE CONTINUED…

Porque raio quando somos pequenos queremos crescer rápido? E quando somos grandes queremos voltar a ser pequenos? Simplesmente não sabemos desfrutar de cada etapa que a vida nos proporciona com o tempo que nos é permitido e sem correrias…


Memórias de um Caxineiro - Parte 1

por Narciso Santos, em 15.05.17

20170513_160025 (1).jpg

Mais ou menos 5 meses após ter iniciado este blog, denoto que existem umas boas 3 pessoas inclusive bloggers a olhar para este cantinho meu… que agora se tornou V/ também, pessoas estas que sabem, não sabiam e saberão onde ficam as Caxinas no mapa de Portugal. Aliás até recebo um comentário da “Maria” que me pergunta: “Quando te voltamos a ter com ânimo? A escrever sobre as Caxinas e as coisas boas da vida?” Pois aqui estou eu a escrever e lutar de certa forma por esta “terrinha” que merece muito... mas muito mesmo…

Saindo eu da fornada de 1980, e crescendo nas Caxinas onde a vida para um puto não era fácil e ainda muito menos quando se sabia que se ficaria órfão de Pai (não no sentido literal da palavra) mas sim porque o meu Pai como os Pais de muitos amigos meus tinham que embarcar em jornadas de 10 meses para o alto mar, para a Pesca (sim uma característica das Caxinas) e busca de melhores condições de vida.

Lembro-me perfeitamente a “creche” vivida com dezenas de outras crianças, era uma creche que fazia parte da fábrica de sardinha e onde todos os filhos das trabalhadoras estavam inseridos, eu inclusive (sim aqui não havia número máximo de alunos por turma, era mais um “ainda cabe mais um”) mas era Grátis!

Entrei com 6 anos na escola primária das Caxinas, infelizmente não entrei no edifício antigo (majestoso e impressionante), mas na parte “mais nova” pois o edifício antigo era frequentado pelos alunos mais velhos. Lembro-me perfeitamente dos pacotes de Leite Achocolatado da Agros que alegravam as minhas manhãs, dois pacotes eram o néctar dos deuses, como eu ansiava aquele momento, pois não haviam marmitas, o lanche era mesmo os pacotes de leites, provavelmente este leite poderia fazer o dia de muitas crianças por este Portugal fora, pois acredito que muitas poderiam ter um lanche invés de não ter nada…

Quem não se lembra do recreio e dos jogos estúpidos das pedradas entre “parte velha e parte nova da escola”, sim no meu tempo não havia parque, o recreio era em terra batida e areia… Bolas de Futebol? Claro que sim, tínhamos latas, os pacotes de leite, que serviam para o propósito… Professora inesquecível, D. Delfina… Quem não se lembra da sua régua de 50cm em metal? Só de escrever e me lembrar isto a minha mão fica dormente… Estranhamente olho para esse tempo, relembro os meus amigos e não me recordo de hierarquias, status, etc… Não me recordo de meninos ricos e pobres, lembro-me das suas / minhas feições de água, sal e areia…

Saía de casa sozinho às 7:30 da manhã e ia para a escola a pé, uns 20 minutos, mas logo em cada esquina contornada encontrava sempre um companheiro Caxineiro, para me acompanhar nas palhaçadas até à escola, sim tocar nas campainhas das casas era uma delas, e correr para não ser apanhado…

Lembro-me também que a escola terminava as 13:00 e lá ia com uns copinchas para o “fieiro” brincar aos pescadores nos barcos que se encontravam no estaleiro, lembro-me usar as latas de tinta e com elas pescar camarão e caranguejos para comer, crus ou numa fogueira feita ali mesmo, cozidas na própria água do mar… Lembro-me de me lançar do cais até à água, ir a nada do cais norte até ao cais sul… Lembro-me de me enfiar pelo meio das pedras do cais e andar à famosa pesca das “ranhosas e dos lulões”… Sei que os construtores civis tinham graves problemas nas obras, pois o revestimento de plástico dos cabos eléctricos tinham tendência a desaparecer, pois eram usados como “armas”, os famosos canudos que eram alimentados por milho, outro problema que a D. Rosa tinha no seu milharal, pois um monte de putos precisavam de munições e as suas espigas serviam esse propósito… Já agora as uvas americanas dela também eram uma delícia.

O meu Pai era pescador tal como todos os meus tios, e a minha mãe na época trabalhadora numa fábrica de conservas, tal como as minhas tias… Lembro-me que sempre que se ouvia uma notícia de um barco que naufragou, sabia que a probabilidade de um ser Caxineiro era enorme… ouvia-se gritos, vestes negras e rezas, sim as pessoas são muito devotas “Aqui” rezam para que “Aquele” que dá o pão, não leve nenhuma Alma! Mas a realidade era dura… A morte era uma “companhia normal”… Mesmo agora andasse pelas Caxinas e as vestes das Caxineiras são na sua maioria os mantos negros, pois quase todos nós já perdemos alguma alma no Mar!

O Mar é muito respeitado, pois num dia trás pão no outro dor… Mas lançamo-nos a ele de “Peito Feito” com os nossos Homens de ferro em barcos de pau…

Nunca se esqueçam que Os Caxineiros são Vila-condenses de 1ª, como são os de outros lugares da cidade de Vila do Conde.

…. (to be continued)

E agora perguntam-me vocês. De onde raio vem isto e porquê?

Os tempos e o mundo muda, queria que fosse para melhor mas o que vejo é exactamente o contrário…

Ontem o meu filho pediu-me para ir ao Parque João Paulo II para andar a brincar, e eu disse:

  • Vai andando que o pai já lá vai ter.
  • Sozinho não vou, pois tenho medo que “Alguém me Leve!”

Estamos a falar em 100 metros…

Quando olho para trás e vejo as minhas aventuras… Oiço o meu filho dizer que tem medo de andar 100 metros sozinho? Das duas 1, ou eu o mimo de mais e a transmissão do Querer e o Ser Caxineiro não está a ser bem passada, ou o mundo que lhe é transmitido e o mundo que ele vê se tornou um local completamente perigoso para se estar e viver… quero acreditar que seja a segunda hipótese, mesmo assim não muito abonatória para a “Nossa Canalha”.


Marketing – Escola de Sopros Caxinas

por Narciso Santos, em 09.02.17

" A Música é interessante mostra os Sentimentos", quem saibe se num futuro, teremos uma Banda Jovem das Caxinas!

Na minha comunidade Caxineira (e em todas em geral) a educação das crianças é um assunto muito sério para os pais, mais em concreto para as Mães pois infelizmente são elas que fazem a gestão de toda a casa e são elas que na maior parte dos casos são Mãe e Pai ao mesmo tempo pois a vida assim o obriga.

 Assim se passou comigo com o meu Pai “embarcado” por uma dezena de meses em alto mar e a minha Mãe encarregue de cuidar da casa e dos filhos. Na minha altura tínhamos um ditado nas Caxinas: “Ou se dava jogador de futebol ou se ia para o Mar”. Mas a minha geração mudou este paradigma e foi das primeiras a enveredar pelo caminho dos estudos, pois havia outros voos além do ser Pescador e do ser Jogador.

A Educação dá-se em casa pelos pais, e terá que ser cimentada nas escolas pelos professores e pela própria comunidade onde nos encontramos inseridos, ou seja, a soma das partes dá um todo, e a educação é dada por este todo que forma e edificam o Ser Caxineiro e as Caxinas.

Como a minha geração mudou isto tudo, nos dias de hoje ainda mais as “nossas crianças” estão mais predispostas a irem estudar, a seguir os seus estudos e os pais na sua maioria apoiam a decisão dos seus filhos e filhas pois querem sempre o que é melhor para estes.

Desta forma trago aqui o meu relato sobre uma forma de melhorar a vida dos nossos filhos e a sua educação nas Caxinas.

O meu filho começou a praticar piscina mal nasceu pois acho que o desporto é bom e deve ser praticado pelas crianças, depois aos 5 anos pedi-lhe para escolher outra atividade além da natação, e ele tentou o Karaté, e eu aceitei, pois dava-lhe disciplina, educação e saber estar. Só que não gostou, pois, a prática era feita “descalços”.

Depois lá tentou o futebol, mas não gostou muito e também não levava muito jeito para aquilo, e quando me surpreende e me diz que quer ir para a MÚSICA.

Confesso que fiquei surpreso, pois o “puto” era irrequieto, facilmente se distraia na sala de aula “cabeça no ar” e escolhe ir para a música, que em nada requer atenção e concentração. Ainda por cima escolhe PIANO, um instrumento também nada caro.

O que é certo é que o meu filho adora a música, adora tocar piano, e os níveis de atenção e concentração dele aumentaram de uma forma fantástica, os níveis de concentração também bem como a sua atenção.

Pois a música faz isto, desenvolve o raciocínio, a atenção e educa as nossas crianças. Outra coisa que a música faz que muitos não sabem é que na quarta classe antes de entrar para a 5 classe podem fazer provas de aferição no conservatório de Vila do Conde e as nossas crianças entrarem no chamado “ensino articulado” que é um ensino virado para alunos frequentadores do conservatório de música, com um horário próprio, e com disciplinas próprias e com turmas menos numerosas que o habitual.

Este ensino e as verbas dadas pelo Governo estão sempre em constante mutação, infelizmente não para melhor como seria de esperar mas para pior, mas acredito que tudo se irá resolver pelo melhor dos nossos filhos.

Desta forma o Conservatório de Música de Vila do Conde abriu a chamada “Escola de Sopros” nas Caxinas, no Centro de Estudos – Iluminar, Avenida Cidade de Guimarães nº 59 (em frente à

Escola Primária das Caxinas). As aulas são ás Terças, Quintas e Sextas das 19:45 às 20:45. Não precisa de comprar instrumento, ao contrário de mim que tive que comprar um piano e só tem um custo de (15€ / Mês).

Sei que este custo para muitas famílias pode ser pesado na sua conta mensal, pois temos muitos barcos parados devido à época do Defeso bem como muitos barcos não irem ao mar devido ao temporal que se vem vindo a sentir, logo o dinheiro não tem entrado em casa, mas as vantagens para os nossos filhos são enormes como foi explicado, e 15€ para as Caxinas bem como não precisam de comprar instrumento e eu tive que comprar um piano e ter os mesmos resultados que o meu pequeno tem.

Se a educação e o futuro do meu filho são importantes estou a partilhar este pequeno texto que já se torna longo de forma a poderem dar-lhes a escolha de ter outras opções além do desporto (também muito importante) que contribuirá para a melhoria mental das crianças, da sua educação e da sua integração na comunidade Caxineira.

O Conservatório é uma excelente associação de música em Vila do Conde e percebe que nas Caxinas também pode fazer um excelente trabalho com as nossas crianças, por isso fizeram um enorme esforço para poderem levar este serviço até às Caxinas, até às nossas crianças.

Tendo em vista a possibilidade de ensino articulado, onde sei que o segundo e terceiro ciclos são muito complicados para as nossas crianças, temos aqui uma oportunidade de tornar esta viragem na educação deles um pouco menos difíceis.

Quem sabe num futuro próximo além do nosso Rio Ave, do nosso Rancho das Caxinas não teremos um Coro das Caxinas bem como um Grupo Musical Caxineiro composto pelas nossas crianças.

 


Sonho / Realidade

por Narciso Santos, em 13.01.17

Source: Je, Me, Moi: Praia das Caxinas

Manhã de nevoeiro. E tão natural aqui. Quase banal. Fecho os olhos. Aspiro a humidade que se mistura com o cheiro a maresia e que se cola suavemente ao meu corpo. E bom estar assim... sozinho no vazio. Cheio de paz. Depois quero mais. Descalço as sandálias e enterro os pés na areia fina e ainda fria... o vento despenteia-me o cabelo. Noutras alturas talvez isso fosse importante. Isso do cabelo. Isso da imagem. Da postura. Mas hoje. Agora. Não…  A água está gelada. Como também é natural aqui. Principalmente a esta hora. Quase madrugada. Num impulso para o qual não me apetece arranjar explicações desato a correr pelo extenso areal. Devia parar aqui. Sinto-me cansado. Mas continuo... Não quero. Não posso. Parar. A praia é só minha. A linha molhada do horizonte é o meu limite. Quero alcança-lo. Segura-lo na minha mão  E continuar sempre. Entro na água. Mesmo vestido. Já não sinto frio. Já não sinto nada. Sou só livre. Por hoje. Por agora. Aqui e só mesmo isso que importa. A liberdade.

Abro os olhos...o sonho acabou, para se tornar em uma realidade… pois está em mim… pois estás á saída da porta da rua.


Caxinas

por Narciso Santos, em 21.12.16

Esta vai para todos aquelas bestas que pensam que as Caxinas é um local onde todo o mundo se insulta, um local de arruaceiros e de pessoas mal-educadas e bêbados e drogados, A dias vi uma reportagem na TV acerca da minha querida terra, e acreditem que não existe terra nenhuma no mundo onde eu prefira estar do que na minha, saber o que é sentir o mar e o seu cheiro todos os dias que saio a rua, sentir-me orgulhoso do meu povo, porque acreditem que quando conquistam um caxineiro têm um amigo para toda a vida, por isso para aqueles que fizeram a reportagem e nos colocaram como um bando de pescadores, drogados e bêbados e porque não conhecem nem fizeram o seu trabalho de casa bem feito, isto vindo de uma pessoa que pertence a uma família de pescadores e a qual tem orgulho, porque esta mesma família são os meus ídolos porque tudo o que fui, sou e serei deve-se a eles e a comunidade onde estou inserido, e acreditem que é extremamente fantástico ir a um sábado de manha ao cais e conviver com aquelas pessoas humildes e singelas e ouvir as suas histórias de vida, estar com o meu pai e com os seus camaradas pescadores e ter o privilégio de os ouvir, ouvir o que eles passam no mar e saber que não e fácil.

Permitam-me que dirija umas palavras acerca da "Raça Caxineira", acerca da família Caxineira. Caxinas é um lugar pertencente a Vila do Conde, não é um bairro piscatório como muitas vezes aparece noticiado nos órgãos de comunicação social. Os Caxineiros são Vila-condenses de 1ª, como são os de outros lugares da cidade de Vila do Conde. Não queremos ser tratados como especiais, mas também não somos coitadinhos como muitas vezes parecem querer dizer... Os Caxineiros são pessoas de trabalho árduo, labutam na vida do mar horas a fio, (15,16 18 horas dia), por de trás do aspecto áspero, de um falar duro e rude encontra-se um homem amigo, fiel aos seus amigos, e muito dado a sacrifícios. Numa tese uma professora apresentava o homem das Caxinas como um "Homem de ferro em barcos de pau", nem mais. Os Caxineiros raramente viram a cara á luta, são pessoas capazes de morrer a trabalhar como a história tem ensinado ao longo dos anos. O Homem do mar merece-nos respeito! Uma palavra também às Mulheres das Caxinas. Muitas das vezes obrigadas pela própria vida a fazerem de pai e mãe ao mesmo tempo, como diz o ditado. "Por de trás de um grande homem está uma grande mulher", A todas as mulheres Caxineiras um bem-haja! Os Caxineiros são pessoas de fé, cultivam a fé na sua simplicidade, bairristas na doação aos seus e aos outros. Temos problemas como as outras terras têm também

Nas Caxinas conta-se uma história particular. Neste lugar, zona de pesca e de mar, de rijeza e de humildade, há um povo que lutou pela sobrevivência a bordo de um barco.

Nas Caxinas ouve-se o riso e vê-se a cor. Por todo o lado, apesar das gentes sempre vestidas de preto. Não há família caxineira que não tenha perdido alguém no mar.

Nas Caxinas vive-se com emoção. Com orgulho nas raízes. Com a coragem e a revolta dos dias vividos no limite do medo.  Com um dialecto que é único.  São “estátuas de bronze a andar”, os Caxineiros da poesia de José Régio.  Não se sabe a origem da palavra. Poderá vir do latim “cachinare”, que significa rir às gargalhadas.

Nas Caxinas vive-se em casas de azulejos alegres, com peixe a secar nas cordas a meias com a roupa preta. Faz-se do passeio público um quintal. Passa-se a velhice entre as memórias, as agulhas de tricot, o baralho de cartas e a conversa com quem passa.

A minha Honra, a minha Homenagem aos Homens e Mulheres da minha Terra as Caxinas!

CSJ

Mais sobre mim

foto do autor

Arquivo

  1. 2021
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2020
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2019
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D
  40. 2018
  41. J
  42. F
  43. M
  44. A
  45. M
  46. J
  47. J
  48. A
  49. S
  50. O
  51. N
  52. D
  53. 2017
  54. J
  55. F
  56. M
  57. A
  58. M
  59. J
  60. J
  61. A
  62. S
  63. O
  64. N
  65. D
  66. 2016
  67. J
  68. F
  69. M
  70. A
  71. M
  72. J
  73. J
  74. A
  75. S
  76. O
  77. N
  78. D

Favoritos