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http://cisosemjuizo.blogs.sapo.pt

"Louco? Loucos são os Loucos que me chamam Louco mas que não conseguem ver a genialidade da minha Loucura!"

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Lemos!

por Narciso Santos, em 19.07.17

E Eu? O que estou do outro lado? O lado do leitor?

Aliás apraz dizer que prefiro mesmo estar do lado do leitor isto de escrever dá muito trabalho, tenho que andar a perder uns poucos minutos nesta metamorfose de juntar palavras que se transformam em frases e frases que se transformam em parágrafos e parágrafos que se transformam em um simples texto (escrevi isto para dar volume de palavras a este texto senão fico sem saber o que escrever e dá-me hipóteses de pensar no porquê de Ler?

Pois aqui vai…Leio porque preciso. Porque tem credibilidade e porque faz da minha cesta básica de informações do dia a dia. Porque gosto de estar informado, saber das coisas e gosto até de ler opiniões divergentes para acompanhar cabeças que pensam diferente da minha (ui.. e quantas cabeças pensam diferente da minha).

Eu, leio para Viver. Para viver melhor. Para sermos. Para nos descobrirmos. Para nos perdermos e para nos encontrarmos (normalmente ando sempre perdido..enfim).

Lemos para nos massacrarmos. Lemos para nos alertarmos. Lemos para nos consciencializarmos. Lemos para não nos acomodarmos. Lemos para não embrutecermos. Lemos para ver. Lemos para sabermos ver. Lemos para ouvir. Lemos para sabermos ouvir. Lemos para pensar. Lemos para sabermos pensar. Lemos porque lemos. Lemos porque sim. Lemos porque sem a leitura deixamos de existir. Lemos porque sem a leitura somos apenas uma sombra de nós. Sombra muito frágil que desaparece à primeira e não muito esforçada oportunidade. 

Ler tem que ter um porquê?

 

 

 


Escrevo!

por Narciso Santos, em 18.07.17

Escrevo para ti, para nós para vós… Quase utilizei todos os pronomes existentes… Sim porque não escrever para o Mundo…

Aqui estou eu despido das minhas armas, da minha armadura, das minhas camadas, das minhas personalidades e somente Eu me escrevo. Não os eus feitos de tus de outrora mas sim o verdadeiro Eu…·Porque escrevem? Boa questão. Talvez por ser um Homem pequenino neste mundo enorme… Talvez porque afinal não sou tão forte como sei que não sou, mesmo dando essa imagem de inquebrável, talvez por estar um dia completamente terrível, me escondo (sim tenho que escrever em português do Brasil) no seio dos cobertores e entre as almofadas para tentar não ouvir a fúria da mãe natureza… Não sei… Pelo menos vai saindo caracteres que se irão tornar em frases…
Eu escrevo, escrevo as palavras que nunca querem ouvir, as palavras que nunca vos consigo dizer (normalmente é sempre esta opção). Eu escrevo tudo aquilo que o meu coração grita e o meu sorriso tenta silenciar. Eu tremo. Eu choro. Eu escorrego e Eu caio…
Talvez por ser um sonhador… Talvez por querer mudar o mundo… e acredito que não é preciso muito, bastam pequenos gestos, pequenas coisas. Ok Sonhador… Foda-se mas ao menos sei sonhar (isto soa um pouco a Tony Carreira)… Chamem-me sonhador… Pode ser que a sonhar possa ser o Herói que almejo, pois nos meus sonhos quem manda sou eu… ainda…
Sou muito menos do que aquilo que vocês dizem que sou, mas talvez mereça muito mais do que aquilo que acham. E aqui vou vos amando… Distante… Mas sempre presente, não como queria mas como posso. Aqui, longe de vós, “perdido” entre recantos deste meu mundo e os becos do meu coração, eu escrevo tudo aquilo que nunca sou capaz de vos dizer cara a cara, aquilo que eu nunca me permito dizer, não de forma propositada mas porque não sei ser de outra forma, talvez a minha maior virtude/defeito…
Pinto os meus sonhos, ponho um sorriso e assim continuarei a viver sempre na esperança que tudo se resolva, que consiga ser o vosso Herói. Eu escrevo, e escrevo.. .
Estou aqui… sempre com as minhas raízes presentes… sempre com vós… e escrevo…
Escrever para vós é desnudar todos os bosques, onde pinheiros bravos crescem na aridez do solo. Onde sombras na noite escura passam… onde neste momento se encontra a tempestade a pinto de bonança… já não sou eu, que estou mergulhado na escuridão, na tempestade... há muito que vos reencontrei… mesmo longe... um dos pinheiros ainda me segreda sossegos, na noite azul que em mim converge….
Escrever para vós é sustentar este momento certo, em palavras incertas que encenam o que já não queremos (será que alguma vez quisemos esta estranha história?), na compreensão dos fantoches do sistema, no formalismo hipócrita, tão mal desenhado na letra da lei medieval escrita pelos homens, na estupidez de seres que não passam de funcionários da vida, infelizes e apertados nos nós de gravatas cinzentas… ou será mesmo a nossa história cor de rosa… como nos contos de fadas… do príncipe no cavalo branco… ai como gostava de ser o príncipe…
Escrever para vós é o meu voo para a liberdade, na velha estrada onde nos iremos reencontrar… talvez aqui… talvez noutro planeta… noutro mundo… escrever para vós é sorrir-me por dentro de felicidade, ao recordar os momentos a roçar a eternidade que passamos, e entender que ninguém conhece a nossa verdadeira idade…
Estive, Estou e Estarei sempre aqui para Vós…


Vida

por Narciso Santos, em 14.07.17

A vida é uma merda...uma das manifestações mais afeitas no mundo. Nunca prestei muita atenção a isto porque normalmente é convencionado por pessoas pessimistas, desesperadas, ou revoltadas. Acontece que mais cedo ou mais tarde cada um de nós acaba por sentir todos aqueles sentimentos que nunca pensávamos ter e nada melhor do que isso para conseguir compreender este mundo um bocadinho melhor, e até nos conseguirmos conhecer a nós próprios um bocadinho melhor também.

Vamos lá pensar um pouco…, já ajudamos, alcançamos, sonhamos, auxiliamos, fizemos todos os possíveis para sermos felizes e fazer quem está perto de nós felizes. Tudo o que poderíamos fazer, fizemos, e agora? Como recompensa, o nosso prémio é bater literalmente com os cornos na parede! Não é justo!

Revolto-me com o mundo, revolto-me com as pessoas, revolto-me com a falta de tacto e consideração que este mundo tem para comigo...mas ainda assim, não vou desistir facilmente, e hei-de continuar a levantar a cabeça por muito sangue que irrompa, por muita dor que sinta, por muita injustiça que ache! O mundo e a vida por vezes não são dignos da luta que temos por eles mas a diferença de carácter está em quem continua e em quem desiste...

Sorte a minha que o meu Povo nunca desiste e me ensinou a não o fazer!


Uma Casa!

por Narciso Santos, em 12.07.17

Uma casa desconhecida, uma de muitas outras desconhecidas...; quiça, nunca antes tocada. Uma casa cujas paredes imaculadas contam segredos de outrora, falas silenciadas que escondem gritos abafados. Uma casa onde estou, despojado de minh'alma, onde me perco propositadamente para me encontrar, enfim, no meu corpo. Uma casa onde, a cada passo, descubro um pouco mais do mundo, um pouco mais de mim. Esta casa onde fico e te encontro, sentado numa poltrona, descansando. Fumas cachimbo e lês o jornal, de perna traçada olhas-me por cima do ombro, projectando a minha casa e imaginando um futuro que ainda estará por vir... Aproximo-me a medo, com medo de retirar toda a pureza e o mistério que envolvem esta casa.

Pergunto-te, baixinho, quem eras...respondes, sussurrando, sou eu, a tua casa, sou eu, TU, de ontem, de hoje e talvez o de amanhã...

E assim me tento apaixonar, por uma casa sem dono que me seduziu e a quem passei a pertencer. E assim tento Amar, casa desconhecida, nunca tocada, de contornos puros que escondem ditos e não ditos de gente que não pode dizer mais do 'sejam bem vindos à minha terra'.

Uma casa, ...

Às vezes, uma única vida não nos basta...


Me, Myself and I

por Narciso Santos, em 28.06.17

"Não sou nada

Nunca serei nada.

Não posso querer ser nada.

À parte isso, tenho em mim todos os sonhos do mundo."

Álvaro de Campos

 

Porque danço a meio do dia. porque abro os olhos num sorriso imenso para o mundo. porque choro. porque me provo. porque erro. porque espero sempre alguém. porque sonho sempre de olhos abertos para o futuro. Porque sou inteiro quando te amo. Porque sou absoluto. Porque sou cavalo selvagem. porque sou a liberdade na flor. porque sou a presa fácil do amor. porque sou assim. apenas eu. apenas sonho. nuvem de fantasia. porque sou todo em ti. porque nada deixo para mim. porque me abraço. porque tenho frio. porque me acaricio. porque tenho fome. de ti. porque me olho ao espelho. e não te vejo. porque rodopio sozinho a meio do dia. porque sonho. Sempre. muito...

Hummm, este nome Narciso que me deram, começa a fazer algum sentido...

 


Meu Mundo

por Narciso Santos, em 27.06.17

Alguém me disse que  escrevia coisas tristes, melancólicas,  escuras (com razão), "tripla adjectivação uauuu", como se a minha alma fosse toda coberta por um denso fumo preto e que me bloqueava e não deixava transparecer outra coisa a não ser solidão e tristeza  pois.... São fases da vida....


Ando a fazer uma desintoxicação á minha alma, tentei pinta-la com as cores do arco íris e tentar por a minha vida mais colorida e acho que neste momento ela está no caminho do quadro colorido (não faltando um mês para regressar a casa), pode não ter as sete cores do arco íris  mas aos poucos vou conquistando essas cores uma a uma ate atingir o pleno, o nirvana a perfeição ...dizem que e impossível  eu respondo: Nada e impossível se lutarmos por ela...
Várias cores, vermelho, branco, amarelo.., muitos tons ... claro e calmo como todo o branco deve ser, apaixonado e efervescente como o vermelho deve ser, amarelo, luz, sol, calor... é assim as cores do meu mundo...

No meu novo novo mundo não haverá gravidade, eu me sinto muitas vezes a flutuar, como uma nuvem la no alto do céu .. não  vento nem chuva o que me remete á paz e ao nirvana.... no meu mundo  movimento, muito movimento, porque se parar morro... desloco-me nele como se visse um álbum de fotografias, sou transportado de foto em foto, de sensação em sensação  no meu mundo  pessoas(neste momento  consigo ter em minha companhia muitas pessoas boas).
 
O Problema é tão  muitos eus, "eus" feitos de "tus" que acabam por completar um eu que muitas vezes não sabe o que quer,mas ao mesmo tempo sabe e sabe como o alcançar  porque eu sou capaz, sou o que sou, chamem-me convencido ou o que quiserem  eu sei o que tenho na minha bagagem e ela cada vez mais vais aumentando...parece uma dicotomia e uma antítese estranha, mas  assim e que me consigo descrever... 

No meu mundo as memórias não passam de memórias... e o futuro será certamente brilhante, tipo um sonho em que acordamos com um sorriso na boca, um sonho bem sonhado.
No meu mundo  entra quem quer entrar,  entra quem conseguir entrar,  entra quem eu deixo entrar... os privilegiados tem acesso a este meu mundo... 

Eu entro no meu mundo. As vezes assusto-me com o que vejo, mas no fundo sorrio para ele!!!

Estranho comecei mal o dia mas sinto-me bem agora...


Coragem

por Narciso Santos, em 23.05.17

A medo, pegou na sua bicicleta, já velha, mas cheia de historias. Olhou para a sua companheira com olhos melancólicos, lembrando-se de viagens antigas e de suas histórias. Com determinação pegou no seu corpo já frágil, marcado pelo passar dos anos, e montou-se. A principio foi difícil, nada parecia de feição, o transito era intenso, sentiu-se perdido, desamparado... Mas este é um homem de paciência, com a sua vida já feita, tinha todo o tempo do mundo... A rua estava agora vazia, deu uma primeira pedalada, o desequilibro era notório, eu próprio que observava tal cena, sentia a fragilidade do velhote, mas aquelas peles velhas escondiam uma força enorme, a força de quem ainda quer viver, e vi o homem pedalar ladeira acima, com uma determinação de uma criança que quer ver cumprido o seu objectivo. E ele continuou a pedalar, parecendo que a cada impulso iria tombar... mas enganei-me.. Fiquei a velo até desaparecer no horizonte. Este homem deveria ter cerca dos 65 - 70 anos, fiquei a observa-lo de longe assistindo a uma prova de força e de coragem, que me tocou... Quando os sonhos ... se realizam...


Sonho

por Narciso Santos, em 22.05.17

Conheci um Sonho, jovem e simpático... irradiava bem-estar! Foi-se dando a conhecer, e a cada conversa nossa eu sentia-me apaixonar, lentamente de uma forma tão suave que me deixava arrepiado. Passaram-se semanas, já não era apenas um sonho... era o meu sonho, era ele que me fazia sorrir, era ele que me beijava todas as manhãs quando acordava. Um dia o sonho chegou perto de mim, e com um olhar confiante perguntou-me: Eras capaz de lutar por mim? - Fiquei parado, pensativo... Respondi-lhe que sim! Aí o sonho cresceu ainda mais, tornou-se tão grande, que eu já não o sabia distinguir da realidade. A cada batalha, o sonho parecia mais forte... e eu mais confiante. 

Até que um dia o sonho tanto cresceu que consegui tocar na Realidade... Nesse dia o Sonho morreu!

Serão os sonhos eternos? Ou apenas desejos efémeros?


Memórias de um Caxineiro - The End!

por Narciso Santos, em 19.05.17

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(Para uns vale o Caminho, para outros a "Boa" Viagem...) 

“Filho só vai para o Mar quem não sabe fazer mais nada”. Estas foram as palavras que o meu Pai sempre me disse em relação à vida dura que os pescadores têm e uma forma de eu fugir à velha máxima Caxineira, “ou se dá jogador de futebol, ou vai-se para o mar”…

Graças ao meu Pai não querer que eu tivesse a mesma vida que ele, repetindo-me sempre esta frase… ajudou também uma viagem de barco de Matosinhos até Viana do Castelo e logo percebi que aquela frase fazia todo o sentido, não tendo vomitado 12 vezes nessas fatídicas 4 horas de barco.

O Ser jogador de Futebol estava longe, não pelo facto de não saber dar uns chutos na bola, mas maioritariamente por chegar a casa às 7 da manhã, pegar nas chuteiras e ir para o campo jogar, o que me dava a impressão que não seria um bom profissional da bola, logo restava a solução mais obvia para a minha Mãe, que era terminar o 12º Ano e ir trabalhar (naquela altura todo o mundo ia parar à Infinion).

Mas ficar no 12º Ano a fazer matemática e ver todos os meus amigos partirem para a Universidade (namorada também), trouxe-me outra perspectiva que nunca me tinha passado pela cabeça, e se fosse tirar um curso superior?!?!

Lá fiz a candidatura e entrei em Braga no ramo da Economia e que melhor professor de Economia poderia ter tido que não a minha Mãe? Pois uma coisa peculiar que existe aqui nas Caxinas é o facto de as Mulheres Caxineiras serem do melhor em matéria de cuidar da casa e das finanças da mesma, ou seja, por norma o casal ganha o seu salário mas quem administra os mesmo é a mulher (caso contrário gastaria tudo na canastra e no café).

Lembro-me perfeitamente quando disse a minha Mãe que tinha conseguido entrar na faculdade e ela não apreciou muito a ideia e mandou-me ir trabalhar, mas lá lhe expliquei que não ia ser como no secundário (vagabundagem) iria ser atinado e fazer o curso no tempo estipulado e que iria trabalhar para pagar as propinas e o alojamento.

Aqui entra novamente o meu Pai em cena que me diz: “se queres ir para a faculdade vai, eu pago as propinas, pago o alojamento, dou-te uma semanada para “copos”; carro (suzuki vitara a GPL, usado claro) e combustível e agora dá-me uma só razão para chumbares a uma só cadeira?”

O meu Pai como estava ausente nunca se intrometia nestas “coisas” pois era assunto para a Mulher Caxineira tratar, mas quando intervir, era assertivo e tirava-me qualquer tipo de argumentos que eu pudesse arranjar. Com tudo pago, se eu chumbasse como me iria justificar, dado todo o sacrifício do Homem estar no alto mar por 10 meses? Simples não Havia Justificação e o Curso era para ser feito nos 4 anos.

Em Braga fui viver com um dos meus melhores amigos que sempre me acompanhou desde a 1º classe e com outro amigo que me acompanhou no secundário e lembro-me que no primeiro mês das supostas aulas não houve nada, pois só via os meus colegas de curso a serem praxados e ninguém aparecia nas aulas, e lá andava eu a passarinhar a ver todo o mundo com “cornadura no chão” pois parecia ser as palavras de ordem dos dias…

Lembro-me que na primeira aula que assisti quase no final da mesma, recebi um bilhete de uns “pseudo doutores” ou melhor dos pinguins trajados a me dizer que se não aparecesse na praxe estava F%&$… Sendo que no final da aula lá me dirigi aos pinguins e perguntei quem tinha escrito o bilhete, ao qual um arrogantemente me disse que tinha sido ele… Ao qual eu respondi que ele não me conhecia de lado nenhum, não “andou comigo na escola” para me ameaçar seja de que forma fosse, e se abrisse a boca mais uma vez lhe partiria os dentes… Ao qual me perguntaram de onde eu era… Ao qual respondi. “Das Caxinas”. Ao qual nunca mais me chatearam a cabeça com praxes e coisas a fim.

Aprendi que os meus professores percebiam menos de economia que a minha Mãe, muita teoria e prática Zero.

Aprendi que estar a 50Km do cheiro a maresia me fazia confusão, e todas as sextas quando regressava de Braga, saía na Póvoa de Varzim para "passear de carro á beira mar".

 

Aprendi que não podemos ter argumentos para falhar, pois se o meu Pai não tivesse dito e feito o que fez para eu ir para a faculdade, ainda hoje estaria a tirar o curso.

Aprendi que existem burros com canudo e burros sem ele, ou seja, um canudo não é sinal de inteligência.

Aprendi que existem pessoas ávidas por poder e por serem tratadas por Doutor(a) só porque têm uma licenciatura.

Aprendi que dizer que sou das Caxinas dá um jeitão, pois a fama de outrora de que somos “uma Raça Suis Géneris” ainda se mantinha.

O que espero? Que a minha pequenada consiga dar um impulso a esta Raça e a este Crer que é o Ser Caxineiro Vilacondense!

The End!


Memórias de um Caxineiro - Parte 3

por Narciso Santos, em 17.05.17

 (Sim, Caxineiro que se preze atirava-se da cruz, onde se encontra a gaivota)

Lá diz o ditado, antes de caminhar aprende a gatinhar, antes de correr aprende a caminhar… Mas eu queria muito ser adulto antes de ter vivenciado o “ser criança” e o “ser adolescente”, lá corri antes de caminhar… Como quando era pequeno me lançava do Cais Sul para a água sem pensar nas consequências que daí poderiam advir, me lancei para a “Técnica” para a Escola Secundária José Régio no 8º Ano!

Se por um lado tinha perdido metade dos amigos quando passei da primária para a Escola Frei João, por outro lado fiz novas amizades aqui nesta nova escola mas tudo mudou quando me senti adulto e lá pedi transferência para a “Técnica” eu e mais 2 amigos que me acompanharam desde a primária, ter uma base e um suporte é muito importante, eu tinha eles dois em um mundo que começou por revelar-se muito estranho.

Se comecei na outra escola a perceber o status e a estratificação da sociedade, aqui nesta nova escola é que percebi de facto a diferença e os valores “MATERIAIS” que davam às marcas, á roupinha cara, às pessoas, à embalagem, etc…

Para começar a minha turma do 8º ano era basicamente o pior pesadelo dos professores, tinha colegas que já deveriam estar 3 ou 4 anos à frente mas simplesmente eram repetentes compulsivos… A escola era estruturada por grupinhos: Os Betos, Os Surfistas, Os tipos de Desporto que eram na sua maioria jogadores do Rio Ave, Os Metaleiros com as suas calças de ganga pretas super hiper mega skinny, (basicamente uns collants feitos em ganga), as famosas “City Jeans”, O pessoal da aldeia, etc…

Claro que eu fui logo me juntar aos famosos “gandins” os meus conterrâneos Caxineiros, claro está que no final do ano lectivo, somente metade passou para o 9º Ano, os restantes uma vez mais ficaram pelo caminho, e a vida era assim, saindo uns e entrando outros…

Chega a época das Calças à Boca de Sino, do cabelo à Kurt Cobain, das camisas de flanela aos quadrados, das calças Levi´s mas compradas nos ciganos da feira, pois não havia como gastar 14 contos num par de calças, tive a sorte de me darem umas Allstar Vermelhas, acho que foi o meu primeiro artigo de marca. Como qualquer Caxineiro lá fui dar uns “chutes” na bola para o Rio Ave.

Lembro-me de todas as pessoas terem pavor do “bairro vermelho” ao lado da escola pois era onde viviam os ciganos, que se tornaram grandes amigos meus, lembro-me do bairro do Caximar também ter má fama, e estas pessoas também se tornaram amigos, somente inimigos dentro de um campo de futebol, onde a palavra perder não entra no dicionário nem num jogo a “feijões”.

Lembro-me que me deslumbrei demasiado no 10º ano que me espalhei por completo em quase todas as disciplinas, lembro-me das saídas as quartas feiras a tarde antes de ir treinar de 15 em 15 dias festa da escola no Totta Bar. Lembro-me das saídas à noite para a discoteca Enseada. Lembro-me que 1 fino custava 50 escudos (25 cêntimos); lembro-me que o cinema custava 300 escudos (1,5€)… Lembro-me de muita coisa…

O Rio Ave F.C. dominava as conversas de café, o relato soa todos os domingos na mão dos velhos e menos velhos, entre o baralho de cartas e a Super Bock. Nos dias de derbi (Varzim x Rio Ave) era o “foge da frente”…

Pois foi ali / aqui que cresci, vivi e aprendi.

Nos dias de hoje os putos já andam com roupa de marca desde que nascem, são catalogados quando entram no infantário, essa catalogação passa com eles para a primária e depois depende se continua ou não pelas mãos da professor(a) primária…

Tentar explicar a eles o que eram as Caxinas, que no meu tempo não haviam computadores, tablets nem telemóveis. Mas tento uma vez por semana, levar a ver o avô no cais, dentro do barco a trabalhar, explicar onde nasci e cresci para ver se conseguem absorver alguma coisa e acima de tudo não renegar as raízes como muitos as renegam e escondem.

Uma coisa é certa nesta vida, para sabermos para onde queremos ir, nunca nos devemos esquecer de onde viemos e a minha âncora está aqui nesta terra: Caxinas, Vila do Conde.

Nós não somos melhores nem piores do que ninguém, somos diferentes: “Estátuas de Bronze a Andar”, os Caxineiros da poesia de José Régio.

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