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"Louco? Loucos são os Loucos que me chamam Louco mas que não conseguem ver a genialidade da minha Loucura!"

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Memórias de um Caxineiro - The End!

por Narciso Santos, em 19.05.17

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(Para uns vale o Caminho, para outros a "Boa" Viagem...) 

“Filho só vai para o Mar quem não sabe fazer mais nada”. Estas foram as palavras que o meu Pai sempre me disse em relação à vida dura que os pescadores têm e uma forma de eu fugir à velha máxima Caxineira, “ou se dá jogador de futebol, ou vai-se para o mar”…

Graças ao meu Pai não querer que eu tivesse a mesma vida que ele, repetindo-me sempre esta frase… ajudou também uma viagem de barco de Matosinhos até Viana do Castelo e logo percebi que aquela frase fazia todo o sentido, não tendo vomitado 12 vezes nessas fatídicas 4 horas de barco.

O Ser jogador de Futebol estava longe, não pelo facto de não saber dar uns chutos na bola, mas maioritariamente por chegar a casa às 7 da manhã, pegar nas chuteiras e ir para o campo jogar, o que me dava a impressão que não seria um bom profissional da bola, logo restava a solução mais obvia para a minha Mãe, que era terminar o 12º Ano e ir trabalhar (naquela altura todo o mundo ia parar à Infinion).

Mas ficar no 12º Ano a fazer matemática e ver todos os meus amigos partirem para a Universidade (namorada também), trouxe-me outra perspectiva que nunca me tinha passado pela cabeça, e se fosse tirar um curso superior?!?!

Lá fiz a candidatura e entrei em Braga no ramo da Economia e que melhor professor de Economia poderia ter tido que não a minha Mãe? Pois uma coisa peculiar que existe aqui nas Caxinas é o facto de as Mulheres Caxineiras serem do melhor em matéria de cuidar da casa e das finanças da mesma, ou seja, por norma o casal ganha o seu salário mas quem administra os mesmo é a mulher (caso contrário gastaria tudo na canastra e no café).

Lembro-me perfeitamente quando disse a minha Mãe que tinha conseguido entrar na faculdade e ela não apreciou muito a ideia e mandou-me ir trabalhar, mas lá lhe expliquei que não ia ser como no secundário (vagabundagem) iria ser atinado e fazer o curso no tempo estipulado e que iria trabalhar para pagar as propinas e o alojamento.

Aqui entra novamente o meu Pai em cena que me diz: “se queres ir para a faculdade vai, eu pago as propinas, pago o alojamento, dou-te uma semanada para “copos”; carro (suzuki vitara a GPL, usado claro) e combustível e agora dá-me uma só razão para chumbares a uma só cadeira?”

O meu Pai como estava ausente nunca se intrometia nestas “coisas” pois era assunto para a Mulher Caxineira tratar, mas quando intervir, era assertivo e tirava-me qualquer tipo de argumentos que eu pudesse arranjar. Com tudo pago, se eu chumbasse como me iria justificar, dado todo o sacrifício do Homem estar no alto mar por 10 meses? Simples não Havia Justificação e o Curso era para ser feito nos 4 anos.

Em Braga fui viver com um dos meus melhores amigos que sempre me acompanhou desde a 1º classe e com outro amigo que me acompanhou no secundário e lembro-me que no primeiro mês das supostas aulas não houve nada, pois só via os meus colegas de curso a serem praxados e ninguém aparecia nas aulas, e lá andava eu a passarinhar a ver todo o mundo com “cornadura no chão” pois parecia ser as palavras de ordem dos dias…

Lembro-me que na primeira aula que assisti quase no final da mesma, recebi um bilhete de uns “pseudo doutores” ou melhor dos pinguins trajados a me dizer que se não aparecesse na praxe estava F%&$… Sendo que no final da aula lá me dirigi aos pinguins e perguntei quem tinha escrito o bilhete, ao qual um arrogantemente me disse que tinha sido ele… Ao qual eu respondi que ele não me conhecia de lado nenhum, não “andou comigo na escola” para me ameaçar seja de que forma fosse, e se abrisse a boca mais uma vez lhe partiria os dentes… Ao qual me perguntaram de onde eu era… Ao qual respondi. “Das Caxinas”. Ao qual nunca mais me chatearam a cabeça com praxes e coisas a fim.

Aprendi que os meus professores percebiam menos de economia que a minha Mãe, muita teoria e prática Zero.

Aprendi que estar a 50Km do cheiro a maresia me fazia confusão, e todas as sextas quando regressava de Braga, saía na Póvoa de Varzim para "passear de carro á beira mar".

 

Aprendi que não podemos ter argumentos para falhar, pois se o meu Pai não tivesse dito e feito o que fez para eu ir para a faculdade, ainda hoje estaria a tirar o curso.

Aprendi que existem burros com canudo e burros sem ele, ou seja, um canudo não é sinal de inteligência.

Aprendi que existem pessoas ávidas por poder e por serem tratadas por Doutor(a) só porque têm uma licenciatura.

Aprendi que dizer que sou das Caxinas dá um jeitão, pois a fama de outrora de que somos “uma Raça Suis Géneris” ainda se mantinha.

O que espero? Que a minha pequenada consiga dar um impulso a esta Raça e a este Crer que é o Ser Caxineiro Vilacondense!

The End!

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