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"Louco? Loucos são os Loucos que me chamam Louco mas que não conseguem ver a genialidade da minha Loucura!"

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Ai... Inimiga Eficiência

por Narciso Santos, em 03.01.17

Corro atrás do quê? Cada vez escrevo mais, com menos qualidade. Tudo pode ser realizado, mas nada tem qualidade. Sou “obrigado” a vomitar tudo de qualquer maneira. Como qualquer lixo rápido para não perder tempo, corro, tomo banho de cinco minutos para não perder a hora. Durmo pouco e só por dormir. Corro atrás de algo que não existe… ainda. Tudo tem que ficar pronto, nada precisa ficar bom. E, dessa forma, a cidade, os espaços públicos e as relações pessoais se deterioram também. Tudo torna-se uma questão de prática de economia de tempo.

Hoje sou dominado pela eficiência. Faço coisas que às vezes não acredito, não faço coisas que acredito, deixo de fazer coisas que acredito e não acredito ao mesmo tempo, simplesmente deixo de fazer, porque sou preguiçoso, mimado e um puto chorão. Crio embustes para economizar tempo e dou por mim a fazer as coisas no imediatismo e a maior parte delas, coisas sem pensar em um objectivo a longo prazo. Decidi que eu não quero ser eficiente. Quero demorar uma semana para escrever um texto, quero sentar-me à mesa e poder ficar horas na inutilidade completa. Ócio, preciso de ócio. Preciso prestar atenção no vento ou em qualquer coisa que não tenha propósitos eficazes. Preciso prestar atenção em mim para saber o que verdadeiramente quero. Preciso trabalhar em algo que me dê prazer e que tenha um sentido para a construção de uma realidade melhor.

Um exemplo: tenho que escrever este texto para o blog porque é o único espaço em que não preciso de ser eficiente. Foda-se: os meus textos não têm razões práticas. São palavras e só. Eu exijo-me a fazê-los e faço-os porque eu quero e dá-me prazer. E eu, em algumas semanas, repeti textos antigos porque a realidade engole-me e eu não tenho tempo e ao mesmo tempo tenho medo de pensar para onde a minha vida está a levar-me. Como vou escrever um texto bom deste jeito? Esse texto não está bom, como a maioria dos textos que escrevo e escrevi aqui. Eu posso muito mais, todos podem. Mas estamos fodidos e presos nessa eficiência inútil e sem nenhum sentido.

Textos bons equivale a uma boa dose de ócio, logo a uma dose de férias, será que me posso dar ao luxo de tal?

Fonte: http://fachodeluz.blog.br/wp/wp-content/uploads/2012/06/1z6.gif

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